Lendo Borges eu sempre me recordo de Platão. O filósofo grego dizia que a verdade não se dissocia do belo e do bom. Tal ideia é encarnada nos escritos de Borges. O escritor argentino possui uma erudição tremenda, consegue aglutinar dois milênios de sabedoria em apenas um parágrafo sem resvalar na superficialidade. Borges escreve como literato, mas tem sabedoria de filósofo. Ele faz parte dos poucos que conseguem expressar a ideia platônica de verdade sempre boa e bela, afinal a profundidade de Borges é inegável e sua estética incontornável. Em BORGES ORAL, temos o escritor já cego, o que deveria ser uma afronta, mas como gênio que é, Borges converte tal empecilho em estímulo, para transformar-se numa espécie de aedro do nosso tempos, aquele que professa a verdade oralmente, dando mais vida e realidade às suas ideias. Termino citando-o:
"Um escritor; ou todo homem, deve pensar que tudo que lhe ocorre é um instrumento; todas as coisas lhe foram dadas para determinado fim - e isso tem de ser mais forte no caso de um artista. Tudo o que acontece a ele, inclusive as humilhações, as vergonhas, as desventuras, todas essas coisas lhe foram dadas como argila, como matéria-prima para sua arte; ele tem de aproveitá-las. Por isso já falei num poema do antigo alimento dos heróis: a humilhação, a desgraça, a discórdia. Essas coisas nos foram dadas para que as transmutemos, para que façamos, da miserável circunstância de nossa vida, coisas eternas ou que aspirem a sê-lo"
Eu também queria, um dia, transformar todas as verdades em belo e bom...mas ainda não tenho esta competência!
ResponderExcluirEssa prerrogativa é para poucos mortais...
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